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O meu objectivo, é escrever breves textos, sobre os assuntos que eu considere de interesse nos mais diversos âmbitos, e que prendam a atenção do seu olhar!
Sábado, 9 de Maio de 2009
Pequenas Memórias - José Saramago

 

José Saramago, é um escritor  ímpar, que muito me impressiona pela positiva, não tendo ele  receio nenhum em escrever as suas Pequenas Memórias, cuja pobreza e dificuldades por que passou , relatadas por si, são arrepiantes!

 

Quer como Pessoa, como Jornalista e como escritor, ninguém ao ler  as suas Pequenas Memórias pode ficar indiferente  aos problemas que teve na sua vida, por causa de ser duma família extremamente pobre de Azinhaga, numa zona  limítrofe ao Rio Tejo.

 

Por isso, sendo eu,  extremamente sensível, absorvi de tal forma, determinados episódios da sua vida real,  que nos relata no  seu livro, pelo que alguns deles,  passo a citar: 

 

" Dos tempos da Rua Heróis de Quionga pouco mais tenho para dizer, só algumas recordações soltas, de mínima importância: das baratas que passeavam por cima de mim quando dormia no chão; de como comiamos a sopa, minha mãe e eu, do mesmo prato, cada um do seu lado, colherada ela, colherada eu...".

 

" Algo me ficou por dizer quando, numa página lá atrás, falei da ída à feira com os porcos.  A venda dos bácoros entre os vizinhos da Azinhaga havia sido fraca nesse ano, por isso meu avô achou que o melhor seria levar o que restara das ninhadas à feira de Santarém."

 

Quando estávamos a comer, veio um criado dizer que podíamos dormir com os cavalos (...) Icei-me para a manjedoura e estendi-me sobre a  palha fresca, como num berço, enrolado na manta, respirando o cheiro forte dos animais, toda a noite inquietos, ou assim me iria parecer se me despertava nos intervalos do sono(...) A escuridão era quente e espessa, os cavalos sacudiam as crinas com força, e o meu tio, com a cabeça quase a tocar nos pés, dormia como uma pedra".

 



publicado por umbreveolhar às 14:34
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18 comentários:
De João Rodrigues Ferreira a 9 de Maio de 2009 às 20:02
Gostei de ler, também gosto muito de Alves Redol, sendo eu ribatejano, é como se estivesse dentro da paisagem onde se passam as histórias, mas noutro tempo...


De umbreveolhar a 9 de Maio de 2009 às 20:17
Amigo João Rodrigues,
Agradeço o teu comentário e fiquei a saber que és um apreciador do José Saramago e também do Alves Redol, entre outros.
Um grande abraço e volta sempre que tenhas disponibilidade,
Carlos Alberto Borges


De MIGUXA a 10 de Maio de 2009 às 00:11
Olá Carlos Alberto,

Quem poderá ficar insensível a situações de extrema pobreza...Só um coração de pedra...

Infelizmente, na actualidade, milhentos casos há idênticos ou piores, neste nosso país.



De umbreveolhar a 10 de Maio de 2009 às 01:28
Olá Margarida,
Concordo inteiramente com as tuas palavras que são sensíveis a estes problemas.
No caso concreto a pobreza acompanhou durante muito tempo o escritor José Saramago, de cujo livro de memórias , citei estas pequenas frases que são bem elucidativas!
Cumprimentos,
Carlos Alberto Borges


De Fisga a 10 de Maio de 2009 às 18:12
Olá amigo Carlos Alberto. Devo dizer-te que admiro muito o Saramago, Não por ser escritor, mas pela demonstração de inteligência que tão bem soube aproveitar. Se sou sensível ao seu passado sim sou. Mas nem por isso posso esquecer que sempre houve e haverá quem nascesse e nasça pobre como ele e por razões que não importa agora estar a enumerar. Morreram, morrem e vão morrer, tal como nasceram. Na maior pobreza. Também esses, que nunca foram jornalistas nem escritores, merecem ser recordados. Muitos houve. há e haverá, que nunca tiveram de seu uma salsicha, e muito menos um porco. Será por isso que não são recordados? Quem sabe. Gostei de ler como sempre gosto de ler qualquer parágrafo de uma qualquer biografia, mas de Saramago apenas admiro como já disse, a forma como ele soube aproveitar a inteligência. Abraço Eduardo


De umbreveolhar a 10 de Maio de 2009 às 19:08
Olá amigo Eduardo,
De facto o Saramago não foi o único pobre deste País, existem mais, cuja vida ao detalhe não se conhece dos outros...
Assim como, também não há apenas um rico neste país e cuja vida ao detalhe não se conhece também...
O valor das pessoas está na sua inteligência, saber e honestidade, como é o caso do Saramago, que não se inibiu de contar peripécias reais da sua vida em que a pobreza e as grandes dificuldades andaram muitos anos a par. Ninguém pode ser louvado por ser pobre ou ser rico... Mas não fora o livro que eu citei, e não se saberia nada sobre o seu passado. É um livro que prende a atenção da primeira à última página. E aqui não é uma questão política. Cada um que tenha a política que quiser !... Não é isso que está em causa, nem o Prémio Nobel...
Um grande abraço do amigo,
Carlos Alberto Borges


De Fisga a 11 de Maio de 2009 às 18:32
Olá migo Carlos Alberto. Olha eu partilho a tua opinião. E se não partilhasse tinha no mínimo que respeitar. Mas se isso te alegra, devo dizer-te que partilho com ele a Ária política. E não é por ai, e nem por outro lado. Eu gosto muito dele como escritor. O que eu quis significar, foi que sempre houve e há de haver muitos como ele e até piores, ele o seu maior valor, foi saber tirar partido da inteligência e usa-la em seu proveito.
Não sei se estás a ver. Um grande abraço. Eduardo.


De umbreveolhar a 11 de Maio de 2009 às 21:44
Olá amigo Eduardo,
As opiniões podem ser divergentes, mas não foi o nosso caso. Bem sei que houve, há e continuará a haver infelizmente pobres e com muitos problemas.
Citei, uma pequena parte do livro do José Saramago que é uma mínima situação de extrema pobreza, pois não podia transcrever o livro todo.
Eu aprecio o que leio, independentemente do autor, ser de esquerda, de direita ou do centro. Infelizmente por ele ser de esquerda, houve um secretário de estado que boicotou que fosse proposto para prémio Nobel. Isso é que é de lamentar!...
De resto, tanto me impressiona a pobreza por que ele passou, assim como de outrem de que objectivamente tenha disso conhecimento, ou seja, através da escrita ou que isso me tenha sido relatado...
Um grande Abraço,
Carlos Alberto Borges


De eduardo a 12 de Maio de 2009 às 20:44
Olá amigo Carlos Alberto. Desculpa se eu fui pouco correcto, mas é assim eu não tal como tu, Não dou ou tiro valor ás pessoas pela sua cor politica, felizmente orgulho-me de ser assim, e não é porque quero ser assim mas porque me está na massa do sangue. E o facto de eu dizer que sou da ária política dele foi mais para te dar a conhecer que não o identifico pela sua cor política. Quanto ao facto de estarmos em sintonia ainda que relativa, é o sinal de que nos respeitamos independentemente das opiniões. o que é bastante saudável. Um grande abraço Eduardo. P. S. Desculpa a identificação, mas é a forma de eu iludir o sapo, para ele me deixar publicar.


De umbreveolhar a 12 de Maio de 2009 às 23:28
Amigo Eduardo,
No meu post descrevi em síntese as dificuldades por que passou o grande escritor José Saramago - Prémio Nobel da Literatura, que ele escreveu na sua autobiografia.
Tudo o resto que tenha haver com dificuldades económicas de outras pessoas, ambos lamentamos e por isso estamos de acordo.
Muitas pessoas contestam o Saramago, não tendo lido sequer um único livro dele, mas é por causa da política e isso não é justo.
Seja qual for a sua ideologia, ninguém tem o direito de misturar as coisas. Por isso também estamos de acordo e não tens que pedir desculpa. Nem que não apreciasses ou pusesses em dúvida aquilo que ele escreveu.....Mas não foi o caso. Por isso , mais uma vez estamos de acordo, meu bom amigo.
Um grande abraço e volta sempre,
Carlos Alberto Borges


De rosafogo a 11 de Maio de 2009 às 00:17
Ola Amigo Carlos

A lareira era pequena , só podíamos caber dois
geralmente o meu avô e eu.

Asim ele conta, a pobreza do meu ´Ribatejo,
embora mais nova do que ele, também se me pusésse a contar, haveria muita coisa de semelhante. Eu admiro-o, acho que é uma pessoa extraordinária, culta, e de muito saber.
Já li este livro e mais alguns, e fico sempre encantada. O ribatejo teve bons escritores
lembro por exemplo a Maria Lamas de Torres Novas .

Foi bonito, teres dado a tua opinião sobre o que leste.Senão tivésse lido ía concerteza ler,
também me sensibilizou.

Um abraço
Boa semana para ti







De umbreveolhar a 11 de Maio de 2009 às 21:28
Olá minha amiga,
O teu comentário está bem ajustado àquilo que transcrevi do livro do grande escritor José Saramago.
Muita gente passou por dificuldades e outros passam na actualidade grandes problemas, até por causa da conjuntura económica mundial.
O Ribatejo é rico em escritores e escritoras, além da que citaste e do Alves Redol, conheço também outra que se chama Rosafogo.
Gostei imenso da tua opinião, sempre muito objectiva e em bom português.
Cumprimentos do amigo,
Carlos Alberto Borges


De rosafogo a 12 de Maio de 2009 às 20:44
Lembráste bem, o Alves Redol do período do neo-realismo, ainda há bem pouco li os Gaibéus, que bem retrata o viver nas lezírias, o sofrimento das gentes daquele tempo.
Agora também há gente que passa mal, mas nesta altura a miséria era grande em tudo, basta ter existido tanto analfabetismo, as crianças andavam descalças, passava por elas a fome e a tuberculose rondava sempre por perto, a roupa de verão era a de inverno, não havia luz em casa, só candeia ou petróleo, como tu deves também saber. E outras coisas
como cavar de sol a sol...

Desculpa, lá esta minha lenga-lenga, e agora deixa-me sorrir, por me considerares escritora do Ribatejo, elogio dum amigo, tudo bem aceito!

Olha Carlos, tudo bom para ti
Um abraço


De umbreveolhar a 12 de Maio de 2009 às 23:10
Olá minha amiga,
Eu impressionou-me muito a autobiografia do José Saramago, em que não está apenas em causa a pobreza de que não se inibiu de contar, como outras peripécias menos agradáveis.
De resto, em quanto houver gente, há-de infelizmente existir dificuldades económicas, mas já será outra abordagem do problema.
Agora que a Estremadura é zona de escritores e escritoras, como é o teu caso, não existe dúvidas.
Cumprimentos,
Carlos Alberto Borges


De Paola a 11 de Maio de 2009 às 22:13
O teu post tem a ver com um livro autobiográfico de Saramago. Para quê mais conversas paralelas? Para quê falar de outros pobres e ricos e remediados, se tu te referes a Saramago? Falemos então daquele que é um Nobel português? Há outros escritores que, se calhar, também o deveriam ser. Só que não são. Voltemos a Saramago. Quer se goste, quer não, da sua escrita - nada fácil - é um enorme escritor da língua portuguesa. Honro-o por isso. Admiro-o por ser um homem cheio de tudo. Mesmo de pobreza que teve... e da qual não se envergonha e que a desnuda junto dos milhões de leitores que tem... sem se importar com o "descrédito". Já provou que é um dos melhores do mundo... Chega!!!!

Beijinhos


De umbreveolhar a 11 de Maio de 2009 às 23:16
Olá Paola,
Como é natural, em tudo o que dizes, eu não divirjo numa única vírgula.
Mas, se te deres ao cuidado de ver alguns comentários, verificarás que as pessoas sobre o grande Saramago , parece que têm uma pedra no sapato.
Isso lamento veementemente e não gosto, obrigando-me a argumentar como se fosse " advogado de defesa" desse grande Homem e grande Escritor!
Já li muita literatura dele, porém as Breves Memórias sensibilizaram-me, e muito!
Cumprimentios do amigo,
Carlos Alberto Borges



De comunicadoras a 21 de Maio de 2009 às 23:23
Oi breve olhar
Palavras para quê?
Noto a sua sensibilidade...
Até brevr
Herminia


De umbreveolhar a 22 de Maio de 2009 às 22:18
Sim, eu sou um grande admirador do José Saramago e as suas Pequenas Memórias, não me poderiam passar indiferentes como provam os exemplos que eu transcrevi.
Cumprimentos,
Carlos Alberto Borges


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